sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Manuel António Pina
1943-2012
Certamente que muitos terão sabido da morte recente de uma grande figura da cultura portuguesa - Manuel António Pina. Foi jornalista e escritor, galardoado em 2011 com o prémio Camões.

A sua obra incidiu principalmente na poesia e na literatura infanto-juvenil, embora tenha escrito também diversas peças de teatro, ficção e crónicas. Algumas obras foram adaptadas ao cinema e televisão e editadas em disco.

A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.


Por isso, ficam esta semana sugestões de leituras deste autor:

A POESIA VAI

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
– Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? –


in Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011


Aos Filhos Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.

Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!
Agora como morreremos?

Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.

Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!

in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"



"Uma história que começa pelo fim" in Histórias que me contaste tu


Eram uma vez um príncipe e uma princesa que se casaram e foram felizes para sempre. Mas “para sempre” é muito tempo e, com o passar dos anos, a felicidade do príncipe e da princesa começou a ter um sabor estranho e a tornar-se, como hei-de dizer?, um pouco aborrecida...


CURIOSOS?!

Boas leituras:)


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